Seleto à gratuidade da Virtude

Deu-me riso e fortuna, o Majestoso

Que brinde meu esquerdo revigora

Oh! Não olvido! Eu jubiloso!

Que Virtude regalada pôs-me agora

 

Se da pena me permite nascedouro

Humilde canto m’a Virtude empenhora

Tal promessa cativada do Vindouro

Ofertar-Lhe a dedo, isto, um carola

 

Dom gratuito e perenal é cantoria

Não se põe quer na ida ou outra sorte

Nem faltosa há de ser-nos esta amante

Nem se oculta com o perecer, a morte

 

Que não nosso o poema mais rebento

Nem daquele que o escuta e o acolhe

Nem da vista do poeta o talento

Ou da palavra que se usa e se escolhe

 

(Do sorteio das palavras, a correta

Posto que a pena é cousa viva

Da Virtude divinal se é discreta

 

Mora altiva é a busca pelo apreço

Outro dom que paladar cativa?

Mas a Deus basta, O ofereço)

 

Mardson Soares

22/11/2013

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25/11/2013 · 13:24

A Ataviada

Oh! Matereclésia! Grã-dócil!

Tu, a eterna amada – Oh!

Apronta-te esposada, – a gentil

Põe-te teu seio a nós

 

Vossos filhos toamos d’ânsia tal

À espera quedam nós

A face do esposo não sabemos qual

Oh! Eclésia sabeis vós!

 

Repouso ofertai-nos!

Porto sois oh mãe!

Que lamento prateamos

Sob o véu tal nos dai?

 

Imagem

“Ecclesia” – Deckenmedaillon im Hauptchor von St. Georg – Kloster Prüfening
“Ecclesia” – medalhão do teto no principal coro de St. George – Mosteiro Prüfening (tradução livre)

 

Oh! Matereclésia – divinal!

Sábia!  Não da vista que não crê

Mas trazes, pois augusta antevê,

O louco para o mundo mau

 

A vanglória é a boca infiel

Que maldize a noiva posto fel

Mas sois sabedoria, Vós ataviada

(A)Amada que o mundo temeria

 

Qual colírio abranda, angelical?

A face mansa que vereis?

Erija-te oh mulher, –  Oh Emanuel!

 

Oh! Matereclésia! – eternal

Desposada pronto havereis

Visto que brindeis de noivo fiel

 

Mardson Soares 04/10/2013

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Soluço do Passadiço

Que me sei do outro dia?

O aqui não é pretérito, mas o outrora

Ido eu a me apegar no aqui, tardia

Quando o aqui me é pretérito agora

 

Óleo sobre tela, de Salvador Dalí

de Salvador Dalí, La persistència de la memòria

 

Que me sei do outro dia?

Da ânsia do porvir, um vil lamento

Por restar-me só a ânsia, me volvia

De o porvir me andar no aqui em pensamento

 

Mal soluço! me quebranta, a revelia

Que vivi no aqui, tal saudoso do outrora

E apegado no porvir, perdido o dia

Não hei vivido no aqui o agora

 

Márdson Soares 25/07/2013

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26/07/2013 · 11:00

Seleto ao Amor, em Elegia

– Eis que amarei! A isto me dou disposto!

E nada me verá o contragosto

de cumprir o que me hei sentenciado!

 

Oh! Que vã desdita! me hei ditado

– Não amei! E amar não o continha!

Vi-me dante  um desalento, uma espinha

Pois amar não me era dom domesticado

 

Me hei metido tal impasse feito errante!

Por que amar não o podia?, uma constante

Vi-me posta, una Verdade! Um dito certo!

– Amar por mim não poderia! Oh, padeço piedade!

 

Amor me dá tal donativo! Ó caridade!

E amar o poderei, Se me aberto! Ó gratuito!

Se buscar-Te, e perseguir-Te como muito!

Amar por mim não O contenho! Ó Verdade!

 

Márdson Soares 07/03/2013

Download – Seleto ao Amor, em Elegia

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26/03/2013 · 11:36

Seleto à Régia Áurea

Cantarei o meu Senhor o Canto Outro

D’alta voz, a amplidão espia

E achegam-se os astros, a romaria

A contemplar o Canto, à grande nastro

 

Cantarei o meu Senhor o Canto Novo

É novidade oh! Céu se cale

Pois é Vitória oh! Céu nos vela, a boca dá-lhe

Cerrem anjos! suas vozes, ante o Novo

 

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Mi Senhor a ter-me o Canto

Tanto espera!, a mim me por aos braços

Como vela! Fugir-me o pranto a fitar-Te o riso

Ter-Te os olhos, o Paraíso! Tal espanto!

 

Quer brindar-me o uno Canto uma coroa!

Mi Senhor em mim a empunhará!

As mãos minhas aos Pés a lançará!

Não sou Rei, é Tua face pois! Coroa

 

Márdson Soares 17/07/2012

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Seleto à busca do Pastor Divino

Perdi-me de meu Pastor a Vista

Num volver dos olhos, a partida

E ao instante de acenos em desdita

Quis cobrar-me o Pastor, a Vida

 

Buscou-me Bom Pastor ao longe

Em rebanho que mui dista da partida

Que doutro campo de posseiro pertencia

 

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A reaver-me do posseiro, o tange

Fiel Pastor apanhou-me em partida

Sendo alto preço que custei, a garantia

 

Volvi ao curral, eu gostoso

Quão seguro colocou-me em boa pista!

Bom Pastor de minh’ ida choroso

Perdeu-me de mim nunca a Vista!

 

Márdson Soares 11/01/2012

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Seleto à Majestade do Amor

Qual dito falará do Todo-Amor

E versará a Onipotência do Altíssimo?

 

Qual cântico O terá sublime

E entoará mor louvor ao Singelo?

 

Sob Suas palmas estamos guardados

E conforto traz sabê-lo

Sob caridoso olhar somos velados

E apraz à alma em tê-lo

 

Qual voz cantará a Glória

E a Sapiência?

Qual soneto O será,

pois, digno?

 

El’ carrega às costas o humilde

E o entrona sobre os Altos da Terra

À vista voraz do posseiro

O livra no Auto da Guerra

 

[Terá o inimigo dos Fraternos

força para detê-lO?

Não é este já derrotado

e caído ao desvelo?

 

Qual ode exaltará o Eterno

E cingirá Seus pés igual explendor?

 

Qual olho terá proveito da Face do Digno

E proclamará o Infindo à eternidade?

 

Márdson Soares 12/10/2011

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